Tempo de Matar por John Grisham
Título original: A Time to Kill
Autor: John Grisham
ISBN: 978-85-325-2377-8
Editora: Rocco
Tradução: Aulyde Soares Rodrigues
Páginas: 574
Classificação: ★★★★★
Carl Lee Hailey chega em casa depois do trabalho e encontra, no sofá de sua sala, uma criança coberta com toalhas, com o rosto disforme e o corpo coberto por equimoses e lacerações. Seus olhos se enchem de lágrimas quando, através do sangue e dos machucados, ele descobre que a criança ferida é sua filhinha, Tonya. Aos 10 anos de idade, Tonya acabara de ser violentamente estuprada e espancada. Ela fora ao armazém a pedido de sua mãe, Gwen, e, na volta, fora raptada e presa.
Os estupradores são logo identificados e presos. Billy Ray Cobb e Willard tem, respectivamente, 23 e 27 anos. Eles são levados até o tribunal para os procedimentos que darão início ao julgamento. As provas são irrefutáveis; um deles, inclusive, confessou sua participação na atrocidade.
Mas para Carl Lee, a simples possibilidade de uma absolvição é inaceitável. Imbuído de raiva, e crendo fielmente que esse é um direito seu como pai, Carl Lee planeja, premeditadamente e cuidadosamente, o assassinato de ambos. No final da audiência que indicia Billy Ray e Willard, Carl Lee surge na saída dos acusados e, munido uma M-16, abre fogo à queima-roupa, assassinando Billy Ray e Willard na escadaria do tribunal, e, ocasionalmente, ferindo Looney, o policial responsável pela custódia de ambos.
Um pai que decide fazer justiça com as próprias mãos; se esse fosse um caso fácil, o máximo que poderia lhe ocorrer seria ir a júri popular e conseguir uma absolvição fácil. Ninguém culparia um pai por assassinar os violentadores de sua filha, uma criança de apenas 10 anos de idade. No entanto, esse não é um caso fácil. Estamos em Clanton, no Mississipi, em uma época de segregação e racismo, e Carl Lee é negro e assassinou dois homens brancos. O que poderia ser um simples caso de absolvição não fossem as questões raciais, torna-se uma guerra de proporções absurdas, envolvendo toda uma cidade.
Carl Lee é preso e indiciado. Na defesa, encontramos Jake Brigance, um jovem e brilhante advogado que espera que este caso o ajude a alavancar sua carreira. Rufus Buckley é o promotor, e planeja usar esse caso para se lançar à candidatura de um novo cargo político. Em um confronto que envolve muito mais que um veredito favorável ou desfavorável, nenhum dos envolvidos está a salvo, principalmente quando a Ku Klux Klan começa a se envolver no caso, inclusive promovendo passeatas, saindo em um confronto direto com os negros que vieram de todos os cantos do país para acompanhar o julgamento.
Título original: A Time to Kill
Autor: John Grisham
ISBN: 978-85-325-2377-8
Editora: Rocco
Tradução: Aulyde Soares Rodrigues
Páginas: 574
Classificação: ★★★★★
Carl Lee Hailey chega em casa depois do trabalho e encontra, no sofá de sua sala, uma criança coberta com toalhas, com o rosto disforme e o corpo coberto por equimoses e lacerações. Seus olhos se enchem de lágrimas quando, através do sangue e dos machucados, ele descobre que a criança ferida é sua filhinha, Tonya. Aos 10 anos de idade, Tonya acabara de ser violentamente estuprada e espancada. Ela fora ao armazém a pedido de sua mãe, Gwen, e, na volta, fora raptada e presa.
Os estupradores são logo identificados e presos. Billy Ray Cobb e Willard tem, respectivamente, 23 e 27 anos. Eles são levados até o tribunal para os procedimentos que darão início ao julgamento. As provas são irrefutáveis; um deles, inclusive, confessou sua participação na atrocidade.
Mas para Carl Lee, a simples possibilidade de uma absolvição é inaceitável. Imbuído de raiva, e crendo fielmente que esse é um direito seu como pai, Carl Lee planeja, premeditadamente e cuidadosamente, o assassinato de ambos. No final da audiência que indicia Billy Ray e Willard, Carl Lee surge na saída dos acusados e, munido uma M-16, abre fogo à queima-roupa, assassinando Billy Ray e Willard na escadaria do tribunal, e, ocasionalmente, ferindo Looney, o policial responsável pela custódia de ambos.
Um pai que decide fazer justiça com as próprias mãos; se esse fosse um caso fácil, o máximo que poderia lhe ocorrer seria ir a júri popular e conseguir uma absolvição fácil. Ninguém culparia um pai por assassinar os violentadores de sua filha, uma criança de apenas 10 anos de idade. No entanto, esse não é um caso fácil. Estamos em Clanton, no Mississipi, em uma época de segregação e racismo, e Carl Lee é negro e assassinou dois homens brancos. O que poderia ser um simples caso de absolvição não fossem as questões raciais, torna-se uma guerra de proporções absurdas, envolvendo toda uma cidade.
Carl Lee é preso e indiciado. Na defesa, encontramos Jake Brigance, um jovem e brilhante advogado que espera que este caso o ajude a alavancar sua carreira. Rufus Buckley é o promotor, e planeja usar esse caso para se lançar à candidatura de um novo cargo político. Em um confronto que envolve muito mais que um veredito favorável ou desfavorável, nenhum dos envolvidos está a salvo, principalmente quando a Ku Klux Klan começa a se envolver no caso, inclusive promovendo passeatas, saindo em um confronto direto com os negros que vieram de todos os cantos do país para acompanhar o julgamento.
“_ Sr. Buckley, deixe que eu explique da seguinte forma. Vou explicar lenta e cuidadosamente e tenho certeza de que até o senhor vai compreender. Se eu fosse o xerife, eu não teria efetuado a prisão do Sr. Hailey. Se eu tivesse feito parte do grande júri, eu não o teria indiciado. Se eu fosse o juiz, eu não o julgaria. Se eu fosse o promotor, eu não o acusaria. Se eu fizesse parte do tribunal do júri, votaria para que entregassem a ele a chave desta cidade, uma placa para dependurar na parede de sua casa e o mandaria de volta para a família. E, Sr. Buckley, se minha filha for violentada algum dia, só espero ter a coragem de fazer o que ele fez.
_ Compreendo. Acha que as pessoas devem possuir armas e resolver suas disputas com tiroteios?
_ Eu acho que as crianças têm o direito de não serem violentadas e que seus pais têm o direito de protegê-las. Eu acho que filhas pequenas são especiais e se a minha fosse amarrada a uma árvore e currada por dois viciados, tenho certeza de que ia ficar louco. Acho que pais bons e decentes deveriam ter o direito assegurado pela Constituição de executar qualquer pervertido que tocasse em seus filhos. E acho que o senhor é um covarde mentiroso quando afirma que não teria vontade de matar o homem que violentou sua filha.” [pág. 278]
Tempo de Matar é o primeiro livro escrito por John Grisham. Formado em direito pela Universidade do Mississipi, a atividade de advogado influenciou a temática de seus livros, que já tiveram mais de 250 milhões de exemplares vendidos no mundo todo. Vários de seus livros, inclusive, tornaram-se filmes de sucesso.
Em uma nota no início do livro, John conta que a ideia para o livro surgiu durante um julgamento que ele assistiu, onde uma menina testemunhava contra o homem que a havia violentado brutalmente. Por um momento, ele imaginou o que faria se a menina fosse sua filha. Enquanto a via sofrer em frente ao júri, ele teve vontade de matar o estuprador. Essa ideia de vingança brincou em sua mente por muito tempo. Pensava: “O que um júri de cidadãos comuns faria com um pai que tivesse feito justiça com as próprias mãos? Naturalmente o veriam com simpatia, mas o suficiente para uma absolvição?” Começou a escrever como uma experiência, e, três anos depois, o manuscrito estava pronto.
Por favor, quero que você entenda que esse livro não é fácil. E não digo isso apenas em relação ao enredo da história, mas ao fato de que uma pessoa leiga sobre assuntos jurídicos pode encontrar certa dificuldade na leitura desse livro. Eu encontrei. Demorei algum tempo para terminá-lo justamente por esse motivo. O livro todo se constrói em torno dos procedimentos para e do julgamento, e, confesso, no início, hesitei bastante e pensei mesmo que não gostaria do livro. Foi um engano. Apesar de não apreciá-lo totalmente, foi uma leitura instigante e completamente diferente para mim. Gostei, sim. Na verdade, em uma perspectiva final, Tempo de Matar é um livro absurdamente intrigante. Ele é capaz de mexer com os seus sentidos e chocá-lo de uma maneira que poucos livros conseguem. Eu adorei o enredo, e, muito embora tenha tido alguma dificuldade com relação à narração, foi uma leitura gratificante, do tipo que envolve você e faz pensar.
O racismo, mesmo que encoberto, ainda sobrevive debaixo dos pilares da sociedade, sustentado por uma camada repleta de um ódio inexplicável, inteligível e sem nenhuma razão para ser. Eu sei disso, e você também sabe. No entanto, apesar disso, não deixa de ser estarrecedor e chocante a possibilidade sustentada durante todo o livro de que Carl Lee, apenas por ser negro, poderia ser condenado à câmara de gás por ter assassinado os dois homens brancos que violentaram sua filha.
Não estou falando do crime em si, mas apenas do fato dele ser negro. Apesar de ser capaz de entender o que levou Carl Lee a cometer o ato de loucura que cometeu, não sei se um crime justifica outro.
Antes de terminar aqui, preciso comentar uma coisa que veio a minha mente enquanto escrevia o parágrafo anterior. Acabo de terminar a leitura do livro Memórias de uma Gueixa, e há uma passagem no livro que chamou muito a minha atenção e que eu acho que se encaixa bem aqui. É assim:
Em uma nota no início do livro, John conta que a ideia para o livro surgiu durante um julgamento que ele assistiu, onde uma menina testemunhava contra o homem que a havia violentado brutalmente. Por um momento, ele imaginou o que faria se a menina fosse sua filha. Enquanto a via sofrer em frente ao júri, ele teve vontade de matar o estuprador. Essa ideia de vingança brincou em sua mente por muito tempo. Pensava: “O que um júri de cidadãos comuns faria com um pai que tivesse feito justiça com as próprias mãos? Naturalmente o veriam com simpatia, mas o suficiente para uma absolvição?” Começou a escrever como uma experiência, e, três anos depois, o manuscrito estava pronto.
Por favor, quero que você entenda que esse livro não é fácil. E não digo isso apenas em relação ao enredo da história, mas ao fato de que uma pessoa leiga sobre assuntos jurídicos pode encontrar certa dificuldade na leitura desse livro. Eu encontrei. Demorei algum tempo para terminá-lo justamente por esse motivo. O livro todo se constrói em torno dos procedimentos para e do julgamento, e, confesso, no início, hesitei bastante e pensei mesmo que não gostaria do livro. Foi um engano. Apesar de não apreciá-lo totalmente, foi uma leitura instigante e completamente diferente para mim. Gostei, sim. Na verdade, em uma perspectiva final, Tempo de Matar é um livro absurdamente intrigante. Ele é capaz de mexer com os seus sentidos e chocá-lo de uma maneira que poucos livros conseguem. Eu adorei o enredo, e, muito embora tenha tido alguma dificuldade com relação à narração, foi uma leitura gratificante, do tipo que envolve você e faz pensar.
O racismo, mesmo que encoberto, ainda sobrevive debaixo dos pilares da sociedade, sustentado por uma camada repleta de um ódio inexplicável, inteligível e sem nenhuma razão para ser. Eu sei disso, e você também sabe. No entanto, apesar disso, não deixa de ser estarrecedor e chocante a possibilidade sustentada durante todo o livro de que Carl Lee, apenas por ser negro, poderia ser condenado à câmara de gás por ter assassinado os dois homens brancos que violentaram sua filha.
Não estou falando do crime em si, mas apenas do fato dele ser negro. Apesar de ser capaz de entender o que levou Carl Lee a cometer o ato de loucura que cometeu, não sei se um crime justifica outro.
Antes de terminar aqui, preciso comentar uma coisa que veio a minha mente enquanto escrevia o parágrafo anterior. Acabo de terminar a leitura do livro Memórias de uma Gueixa, e há uma passagem no livro que chamou muito a minha atenção e que eu acho que se encaixa bem aqui. É assim:
“Uma vida errada não poderia transformar a gente em uma pessoa má? Lembrei muito bem que um dia em Yoroido um menino me empurrara para um arbusto de espinhos perto da lagoa. Quando saí de lá eu estava tão zangada que poderia morder um pedaço de pau. Se alguns minutos de sofrimento me deixaram tão zangada, o que seria com anos de dor? Até um pedra pode ficar gasta com chuva bastante.” [Retirado de Memórias de uma Gueixa, Arthur Golden, página 103]
Não vou dizer mais nada. Deixo para você a reflexão.
Não vou dizer mais nada. Deixo para você a reflexão.























Oi, Nah!
ResponderExcluirEu me lembro quando assisti o filme. Não sei se é parecido com o livro ou não, pois ainda não tive a oportunidade de ler, mas lembro que fiquei com muita raiva da história, por causa do racismo.
Já vi que vou gostar do livro!
Bjs
Oi Nah!
ResponderExcluirAinda não li esse livro, mas li "A Firma" desse mesmo autor e adorei. Pretendo ler outros livros dele. Beijos...Elis.
http://www.arquivopassional.com/
Eu acho esse livro e também o filme um dos mais pesados que já vi. O terror psicológico, o absurdo da situação e a indignação e revolta se misturam o que torna a leitura pra mim quase um sofrimento.
ResponderExcluirJohn é um grande escritor, mas essa história é forte demais pra mim :(
bjks
Sam
Oii..
ResponderExcluirNossa vi esse livro anos atrás, mas também fiquei na dúvida se ia ficar perdida nos "termos jurídicos", mas eu quero ler sim!!! Parece ser bem interessante.
Será que não virou filme já?
Bjoss
entreumlivroeoutro.blogspot.com
Oi, Náh.
ResponderExcluirQue curioso. Comecei a ler sua resenha e vi que já tinha visto isso em algum lugar.
Aí, lembrei-me do filme homônimo (A Time to Kill), que assisti e que adorei! O filme é estrelado por Matthew McConaughey (Jake Tyler Brigance), Sandra Bullock (Ellen Roark) e Samuel L. Jackson (Carl Lee Hailey).
Não sei se é fiel ao livro, porque não li, mas o enredo é ótimo.
Li há muitos atrás "Dossiê Pelicano" desse autor e adorei. Pretendo ler outros livros dele, com certeza!
Beijos.
Adorei sua resenha,
ResponderExcluirfiquei instigada a procurar algo do Grisham para ler. Gostei bastante do enredo,mas confesso que o fato dele descrever aspectos jurídicos nas história foi o que chamou ainda mais minha atenção já que sou estudante de direito.
ótima resenha!
bj
Olá, Náh!
ResponderExcluirQuando comecei a ler sua resenha, percebi que já conhecia essa história. Apesar de não ter lido o livro, assisti o filme. Pelo que me lembro, no filme, ele acaba sendo absolvido, quando é perguntado, no julgamento, o que os pais presentes (que eram brancos) fariam se a filha deles fosse estuprada. Se a menina estuprada fosse branca, qual seria a reação deles. Creio que é depois disso que ele acaba sendo absolvido.
Não sei se eu leria o livro. Creio que não. Histórias envolvendo crianças são sempre "delicadas" demais, pesadas... não sei se eu aguentaria.rsrs...
"_ Eu acho que as crianças têm o direito de não serem violentadas e que seus pais têm o direito de protegê-las. Eu acho que filhas pequenas são especiais e se a minha fosse amarrada a uma árvore e currada por dois viciados, tenho certeza de que ia ficar louco. Acho que pais bons e decentes deveriam ter o direito assegurado pela Constituição de executar qualquer pervertido que tocasse em seus filhos. E acho que o senhor é um covarde mentiroso quando afirma que não teria vontade de matar o homem que violentou sua filha.”
Eu concordo com esse trecho. Por mais que a gente tente ser racional e venhamos a dizer que não é correto fazer justiça com as próprias mãos, só quem passa por situações assim (um pai que vê sua filha sofrendo, ensanguentada, por ter sido estuprada tão cruelmente, por exemplo)sabe o que sente. O quanto a dor e o ódio é grande. Eu não sei o que faria se algo assim acontecesse com alguém que amo. Espero jamais passar por algo igual, mas só de imaginar sinto meu sangue ferver. Só Deus sabe o que eu seria capaz de fazer. Não consigo julgar esse pai por ter mandado para o inferno aqueles que fizeram algo tão terrível com a filha dele.
Tem selinhos para você no meu blog, flor:
Selinho - Best Blog: http://lunadelua.blogspot.com/2012/01/selinho-best-blog.html
Selinho - Blog Mágico: http://lunadelua.blogspot.com/2012/01/selinho-blog-magico.html
Bjs!
Oii..
ResponderExcluirgostei bastante da sua resenha. Eu não li nem assisti ao filme, mas achei legal a estória. Eu já li dois livros do Grisham, O advogado e O último jurado, e sua resenha me deu saudade de ler algo dele. :D
Beiijos (:
@setordaleitura